No Manusmrit é dito: “As mulheres são dignas de adoração. Elas são a sorte do lar, a lamparina da iluminação para todos no lar. Elas trazem consolo à família e são parte integral do dharma na vida. Até mesmo o paraíso está sob o controle das mulheres. Os deuses residem nos lares onde as mulheres são adoradas e, nos lares onde as mulheres são consideradas de menor importância, todos os esforços para se avançar são em vão.” (Manusmriti 3-56). "É difícil imaginar que o mesmo Manu que escreveu esta passagem escreveria também passagens denegrindo as mulheres em outras partes do Manusmriti. Certamente, já que ele deve guiar a conduta da sociedade hindu, o Manusmriti seria um candidato natural a ser distorcido – pelos pundits, para servir aos seus estreitos fins egoístas e pelos poderes coloniais para denegrir a cultura e a sociedade hindu. Esta prática continua até hoje." * "O famoso verso de uma das escrituras hindus diz, “Matru devo bhavah” – Reverencie sua mãe como se fosse Deus."** Vemos na Índia muitas pessoas mostrando respeito à sua mãe, mas ainda assim várias vezes elas não parecem entender a importância da maternidade. Elas mostram respeito às suas mães, mas se esta é tratada como uma escrava pela família de seu pai, elas dizem que está tudo bem, pois esta é sua "cultura". De fato, não é raro ver que não há um respeito real... Além disso, se um homem, por exemplo, realmente entende a importância da mãe e da maternidade, ele irá respeitar também a mãe de seus próprios filhos, se não, isto é a apenas uma hipocrisia. A pessoa que realmente respeita sua mãe devido ao entendimento de sua importância, respeitará também todas as outras mães e mulheres. Também não é difícil ver na Índia homens que respeitam suas mães e estão prontos para fazer qualquer coisa por elas e defender seus direitos, mas não parecem ter nenhum problema em considerar que a mãe de sua esposa não tem esses mesmos direitos ou que não tem direito algum, já que para algumas pessoas apenas a família do homem importa. Deste modo, a adoração à mãe e à maternidade se torna apenas uma forma do homem reforçar o domínio de sua própria família usando a assim chamada importância de sua mãe."É importante observar que quando Deus é adorado como ‘Casal Divino’ pelos hindus, o nome feminino sempre precede o masculino. Assim, dizemos que estamos adorando ‘Sita-Ram’, ‘Radhe-Shyam’, ‘Uma-Mahesh’ ou ‘Shri Vishnu’ e por aí vai." ** Hoje em dia é comum vermos os casais hindus andando pelo rua com o homem andando na frente e a mulher atrás, assim como o fazem os muçulmanos. Isto não é prático para a proteção das mulheres nem tem qualquer conexão com a cultura hindu. Temos mesmo descrições de Parvati sentada no colo de Siva enquanto este dava seu darsan. Em várias outras passagens das escrituras descreve-se algum casal divino em que o homem e a mulher chegam, lado a lado. E mesmo neste exemplo da maneira como falamos os nomes das divindades, o feminino vem na frente. Então, qual o sentido das esposas andando atrás dos seus maridos nas ruas?
“Os (…) VedAs (…) indicam o importante papel da mulher em construir uma sociedade justa e estável ." *** Infelizmente mesmo esta afirmação é tantas vezes usada erroneamente. Podemos ouvir as pessoas dizerem que as mulheres são tão boas e fortes, tão superiores e que têm um papel tão importante de manter a família unida, etc, que elas têm que tolerar tudo! "A passagem Satapatha BrahmaNA afirma abertamente que apenas as mulheres cumprem o propóstio da vida humana. Isso mostra o aspecto divino das mulheres e declara que as mulheres são a corporificação de Sri Devi (SriyA vA yEthath rUpam yathA patnaya:). As mulhres modernas podem não estar familiarizadas com o alto status dado às mulheres em nosso mundo religioso e suas escrituras. Ao contrário da crença popular de que os Vedas negam a liberdade às mulheres, eles ressaltam o dever subjacente e OS DIREITOS das MULHERES , enquanto foca a estabilidade da família como uma unidade que, então, fortalece a sociedade.(…)As obrigações védicas são reconhecidas como Samana (igualmente móveis ), já que homens e mulheres se movem livremente na sociedade realizando seus deveres complementares. (…)" ***
O Atharvaveda diz: “Oh mulher, você nos confere riqueza e prosperidade. (Atharvaveda-Hindi Bhashya Part 1, Autor: Kshemkarandas Trivedi, Sarvadeshik Arya Pratinidhi Sabha, Delhi, pág. 804)” **** “Assim também em vários outros mantras a mulher tem sido apresentada como alguém que desempenha um papel essencial na família e como esposa. Similarmente é também mencionado nos Vedas que tem sido dado a ela lugares de liderança em trabalhos sociais, organizações governamentais e comandando a nação. (Book: Vagambhraniya, Author: Dr Priyamvada Vedbharti)” ****
* - Raghbendra Jha - Women and the Vedas - http://www.ivarta.com/columns/OL_070503.htm ** Chinmay Bajekal - Vedism and modern ideals - http://www.ivarta.com/columns/OL_050116.htm *** SriPedia - http://www.ibiblio.org/sripedia/cgi-bin/kbase/Vedas/Women’ **** Agniveer – Women in Vedas - http://agniveer.com/vedas/women-in-vedas/
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Sunday, June 7, 2009
Sunday, May 31, 2009
a verdadeira cultura indiana
Este é um lugar para compartilhar as coisas sobre as quais tenho lido que dizem respeito à posição da mulher na sociedade atual e, especialmente, nos velhos tempos e tradições. Embora a maior parte dessas antigas tradições pareçam ser muito machistas agora, se nos aprofundarmos, poderemos ver que elas sofreram muitas mudanças e que, de fato, em sua essência, sempre glorificaram as mulheres. Falarei mais sobre a cultura védica / indiana, mas tamém falarei sobre outras tradições. Será ótimo se pudermos compartilhar nosso conhecimento sobre este tópico. Tentarei sempre escrever em inglês e, então, escrever a mesma coisa em português. Por favor, faça seus comentários, se inscreva e, caso tenha um artigo ou algo para ser publicado, mande para krdevidasi@gmail.com. Vamos lá então...
Este é o primeiro post que coloco aqui sobre as mulheres nas escrituras. Falarei sobre algo que venho pesquisando já há algum tempo. Falarei sobre as escrituras indianas antigas.
É muito interessante notar que, atualmente, na Índia, temos basicamente dois grupos. O primeiro grupo pensa que as escrituras são obsoletas e, assim, não devem ser seguidas hoje em dia. Ele não está interessado em conhecê-las ou seguí-las. Ou essas pessoas são ateístas ou participam de alguns rituais feitos pela família sem realmente entendê-los, mas apenas por participar, como um costume social. Também achamos neste grupo aqueles que preferem a cultura occidental, sua música, filmes e estilo de vida. No segundo grupo, por outro lado, temos aqueles que querem resgatar seu hinduísmo, ou querem perpetuar sua cultura hindu, seguindo aquilo que viram acontecer em suas famílias ou aquilo que sabem sobre as escrituras. Mas vemos que, embora sigam veementemente algumas partes das escrituras, eles não seguem outras. Podemos ver que eles estão ansiosos em seguir as partes das escrituras que reforçam sua própria posição superior ou qualquer outra coisa que esteja de acordo com seu interesse, mas não estão muito interessados em seguir as partes, por exemplo, que aconselham austeridades como acordar cedo, jejuar ou ver todas as mulheres como sua própria mãe. Várias vezes eles não podem citar as escrituras, mas apenas justificar suas attitudes dizendo que estão seguindo as “tradições”, nem mesmo que fazem parte das escrituras... Mas a questão é: que tradições são essas? Aqueles que se dizem verdadeiros hindus estão seguindo tradições que, geralmente, não estão nas escrituras hindus. A maioria delas existe devido à influência muçulmana, cristã ou devido às mudanças feitas por estrangeiros que, na verdade, queriam destruir essa mesma cultura hindu. Dentro todos os comportamentos não-hindus que vemos atualmente existindo sob a bandeira do hinduísmo, encontram-se as frases feitas, pensamentos e atitudes com relação às mulheres. E vemos isto da parte da maioria dos homens e… mulheres!
Como a verdadeira tradição hindu vem das escrituras, não iremos nem considerar nada que seja chamado “tradição” apenas, quando isto na verdade significa “o que todos têm feito por algum tempo na Índia”. Já que, por algum tempo, tem-se matado milhares de bebês do sexo feminino, tem-se torturado garotas e suas famílias por causa de dote, etc, aceitar que algumas coisas fazem parte da “tradição” indiana só porque elas têm ocorrido já por algum tempo, é também aceitar que estese crimes são a tradição indiana, e não podemos concordar com isto. Então, devemos considerar e aceitar como tradição indiana apenas aquilo que vem das escrituras indianas.
Agora surge outro problema. Podemos confiar em tudo o que é dito nas escrituras? Tantas coisas são justificadas como sendo parte das escrituras, mas estas coisas estão lá realmente?
Raghbendra Jha escreveu: “Há algo inerentemente errado com o modo como o Sanatana dharma ou a cultura hindu trata a feminilidade? Se formos pelos comentários de alguns textos tais como o Manusmriti, seríamos levados a pensar que este é o caso, certamente. No entanto, a autoridade última e única das práticas do Sanatana dharma são os quatro Vedas. (...) Nossa vasta literatura religiosa foi poluída pelo comportamento hipócrita e intenções egoístas de alguns assim chamados pundits (o Matsyapurna diz que estas pessoas são rakshas nascidos na Kaliyuga em famílias de brahmanas) e pelos séculos de domínio das forças coloniais. É provável que o Manusmriti nos tenha afetado. Isto fica evidente em algumas passagens do Manusmriti. *
É claro que a maior parte dos hindus não quer discutir este fato. Ou eles se sentem muito confortáveis com o modo como as coisas estão agora, ou são muito preguiçosos para pensar sobre isto, ou não têm a inteligência para fazer tais perguntas.
“Os hindus, tendo sido oprimidos por séculos, desenvolveram uma mentalidade de escravidão mental com relação ao seu opressor de longa data, o islã. Então, agora, mesmo quando os hindus se colocam contra o Islã, eles o fazem timidamente, defensivamente e com a culpa de alguns crimes hipotéticos imaginados, para seu desgosto, para eles por seus inimigos. Eles ainda não conseguem pensar livremente, analisar a história objetivamente e reconhecer a verdadeira natureza do Hinduísmo, i.e., Dharma. Mas, se eles quiserem regenerar o Dharma, a Verdade e a Bondade, então terão que ver a história sob sua verdadeira luz, com Coragem, Decisão e Objetividade. Apenas então poderão redescobrir seu Dharma e fazer algo por sua geração.” ** De fato, muitos hindus falam contra o Islã, mas estão felizes em viver de um modo que vem do Islã, acreditando ou fingindo acreditar que isto é parte de sua cultura hindu.
Espero que os hindus acordem deste estado e comecem a pensar sobre o modo como as coisas estão acontecendo agora e possam ver a necessidade de mudança para que sua verdadeira cultura possa sobreviver, mesmo que isto signifique questionar, ver seus erros e adotar uma attitude desconfortável, já que é diferente. E acredito que isto não tem a ver apenas com os hindus. Trata-se de sanatana-dharma, e sanatana-dharma é para todos, não apenas para os nsacidos na Índia. Com esta cultura podemos aprender a viver melhor neste mundo e no outro, nesta vida e nas próximas.
Como diz o Rigveda, parte 2, sukta 18, verso 3259: “Este dharma é sanatana (atemporal). Todos os deuses e humanos nasceram neste dharma e progrediram nele. Por favor, não destrua nossa grande Mãe que tem sido a pedra fundamental de sua génese e existência.”
* Raghbendra Jha - Women and the Vedas - http://www.ivarta.com/columns/OL_070503.htm
** Prabhat Varun - Sati Pratha and its origins - http://www.ivarta.com/columns/OL_060328.htm
Este é o primeiro post que coloco aqui sobre as mulheres nas escrituras. Falarei sobre algo que venho pesquisando já há algum tempo. Falarei sobre as escrituras indianas antigas.
É muito interessante notar que, atualmente, na Índia, temos basicamente dois grupos. O primeiro grupo pensa que as escrituras são obsoletas e, assim, não devem ser seguidas hoje em dia. Ele não está interessado em conhecê-las ou seguí-las. Ou essas pessoas são ateístas ou participam de alguns rituais feitos pela família sem realmente entendê-los, mas apenas por participar, como um costume social. Também achamos neste grupo aqueles que preferem a cultura occidental, sua música, filmes e estilo de vida. No segundo grupo, por outro lado, temos aqueles que querem resgatar seu hinduísmo, ou querem perpetuar sua cultura hindu, seguindo aquilo que viram acontecer em suas famílias ou aquilo que sabem sobre as escrituras. Mas vemos que, embora sigam veementemente algumas partes das escrituras, eles não seguem outras. Podemos ver que eles estão ansiosos em seguir as partes das escrituras que reforçam sua própria posição superior ou qualquer outra coisa que esteja de acordo com seu interesse, mas não estão muito interessados em seguir as partes, por exemplo, que aconselham austeridades como acordar cedo, jejuar ou ver todas as mulheres como sua própria mãe. Várias vezes eles não podem citar as escrituras, mas apenas justificar suas attitudes dizendo que estão seguindo as “tradições”, nem mesmo que fazem parte das escrituras... Mas a questão é: que tradições são essas? Aqueles que se dizem verdadeiros hindus estão seguindo tradições que, geralmente, não estão nas escrituras hindus. A maioria delas existe devido à influência muçulmana, cristã ou devido às mudanças feitas por estrangeiros que, na verdade, queriam destruir essa mesma cultura hindu. Dentro todos os comportamentos não-hindus que vemos atualmente existindo sob a bandeira do hinduísmo, encontram-se as frases feitas, pensamentos e atitudes com relação às mulheres. E vemos isto da parte da maioria dos homens e… mulheres!
Como a verdadeira tradição hindu vem das escrituras, não iremos nem considerar nada que seja chamado “tradição” apenas, quando isto na verdade significa “o que todos têm feito por algum tempo na Índia”. Já que, por algum tempo, tem-se matado milhares de bebês do sexo feminino, tem-se torturado garotas e suas famílias por causa de dote, etc, aceitar que algumas coisas fazem parte da “tradição” indiana só porque elas têm ocorrido já por algum tempo, é também aceitar que estese crimes são a tradição indiana, e não podemos concordar com isto. Então, devemos considerar e aceitar como tradição indiana apenas aquilo que vem das escrituras indianas.
Agora surge outro problema. Podemos confiar em tudo o que é dito nas escrituras? Tantas coisas são justificadas como sendo parte das escrituras, mas estas coisas estão lá realmente?
Raghbendra Jha escreveu: “Há algo inerentemente errado com o modo como o Sanatana dharma ou a cultura hindu trata a feminilidade? Se formos pelos comentários de alguns textos tais como o Manusmriti, seríamos levados a pensar que este é o caso, certamente. No entanto, a autoridade última e única das práticas do Sanatana dharma são os quatro Vedas. (...) Nossa vasta literatura religiosa foi poluída pelo comportamento hipócrita e intenções egoístas de alguns assim chamados pundits (o Matsyapurna diz que estas pessoas são rakshas nascidos na Kaliyuga em famílias de brahmanas) e pelos séculos de domínio das forças coloniais. É provável que o Manusmriti nos tenha afetado. Isto fica evidente em algumas passagens do Manusmriti. *
É claro que a maior parte dos hindus não quer discutir este fato. Ou eles se sentem muito confortáveis com o modo como as coisas estão agora, ou são muito preguiçosos para pensar sobre isto, ou não têm a inteligência para fazer tais perguntas.
“Os hindus, tendo sido oprimidos por séculos, desenvolveram uma mentalidade de escravidão mental com relação ao seu opressor de longa data, o islã. Então, agora, mesmo quando os hindus se colocam contra o Islã, eles o fazem timidamente, defensivamente e com a culpa de alguns crimes hipotéticos imaginados, para seu desgosto, para eles por seus inimigos. Eles ainda não conseguem pensar livremente, analisar a história objetivamente e reconhecer a verdadeira natureza do Hinduísmo, i.e., Dharma. Mas, se eles quiserem regenerar o Dharma, a Verdade e a Bondade, então terão que ver a história sob sua verdadeira luz, com Coragem, Decisão e Objetividade. Apenas então poderão redescobrir seu Dharma e fazer algo por sua geração.” ** De fato, muitos hindus falam contra o Islã, mas estão felizes em viver de um modo que vem do Islã, acreditando ou fingindo acreditar que isto é parte de sua cultura hindu.
Espero que os hindus acordem deste estado e comecem a pensar sobre o modo como as coisas estão acontecendo agora e possam ver a necessidade de mudança para que sua verdadeira cultura possa sobreviver, mesmo que isto signifique questionar, ver seus erros e adotar uma attitude desconfortável, já que é diferente. E acredito que isto não tem a ver apenas com os hindus. Trata-se de sanatana-dharma, e sanatana-dharma é para todos, não apenas para os nsacidos na Índia. Com esta cultura podemos aprender a viver melhor neste mundo e no outro, nesta vida e nas próximas.
Como diz o Rigveda, parte 2, sukta 18, verso 3259: “Este dharma é sanatana (atemporal). Todos os deuses e humanos nasceram neste dharma e progrediram nele. Por favor, não destrua nossa grande Mãe que tem sido a pedra fundamental de sua génese e existência.”
* Raghbendra Jha - Women and the Vedas - http://www.ivarta.com/columns/OL_070503.htm
** Prabhat Varun - Sati Pratha and its origins - http://www.ivarta.com/columns/OL_060328.htm
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